Nascidos um para o outro, pizza e cerveja combinam até mesmo na Itália, terra do vinho. Uma bela marguerita com a “crocância” e mordida carbônica de uma Pilsen da Bohemia, com notas herbais e de enxofre brincando com os aromas do tomate. A história começou em Roma, onde tudo acaba em pizza, e agora é sucesso em Brasília, que há muito superou São Paulo como local dos discos fumegantes cobertos de queijo.

Na capital nacional, novos sabores foram criados e vem chamando atenção do público. Especialidade regional, a pizza STF (salame, tomate e fiambre) combina muito bem com uma Double IPA, com amargor residual destacado. Outra opção que vem se destacando é a MBL (muçarela, bacon e linguiça) com borda recheada de Kim Catupiry. A harmonização, por semelhança, é com uma Dry Stout, pela combinação dos queimados e conteúdo aguado.

A marca deste mercado em ascensão é a inovação. No passado recente, o sucesso foi o sabor PT (Portuguesa Tradicional) com molho de frutos do mar. Lula, porém, não agradava mais e os clientes reclamaram que a cebola estava fazendo chorar. Saiu do cardápio e voltou a PMDB (palmito, manjericão, damasco e brie). Sommelière especialista em sangria, Romana Jucá dá dicas:

-Brie com damasco remete à tradição, que vem de séculos atrás, no período das cruzadas, quando um francês conheceu uma jovem árabe e o resto é a história que a gente já conhece. Inicialmente ela não tinha palmito, mas a pedido de Aliccis Guimarães, o ingrediente foi adicionado para agradar à maioria da Casa. Foi um sucesso, é a pizza que nunca sai do forno no Distrito Federal. Combina muito bem com latão de Itaipava. Ninguém lembra que ela está ali, ninguém sabe quem levou pro churrasco, mas no final sempre sobra ela para conduzir a festa até o final.

É fato, porém, que todas essas sugestões de harmonização são apenas ilustrativas e não se comparam à elegância de uma boa pizza com um refrescante e jovem vinho verde da região do Piemonte. São notas que remetem ao verão na toscana logo após uma tarde de sol, mais precisamente aos aromas de 20h43 minutos quando se observa uma videira em Barolo em noite de lua nova.

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