Ao longo dos anos, o ramo cervejeiro tem recebido participações incríveis de sommelières, mestres cervejeiras, apreciadoras e educadoras, que cada vez mais demonstram que vieram para ficar e fazer bonito.

Mesmo com o crescimento rápido do mercado, ainda encontramos obstáculos impostos por alguns, como a objetificação da figura feminina como venda de produto, além de homens que ainda gostam de rebaixar o gosto da mulher e o porquê delas não entenderem a necessidade dele estar no balcão do bar, quando não querem voltar pra casa.

Saímos por alguns bares e empórios de SP e perguntamos para algumas mulheres que trabalham no ramo se elas já tiveram alguma situação constrangedora.

Um cliente me perguntou sobre uma cerveja refrescante, um pouco cítrica e nada amarga, ofereci uma Witbier. Ele disse que não queria uma cerveja de “mulherzinha”. Ofereci então uma fio terra: ‘sua cara, olha’.

Sempre que vou com meu namorado em um bar peço uma cerveja forte e ele uma mais suave para começar. Precisamos sempre trocar os copos, pois o garçom serve a minha para ele. Quando questionamos, alguns dizem que o normal é a mulher beber a mais ‘fraquinha’. A gorjeta dele fica mais baixa que o teor alcoólico de uma Alkoholfrei.

Alguns homens costumam passar reto por nós e perguntam para qualquer homem na loja uma indicação de cerveja… Mesmo quando estamos com o uniforme, atrás do balcão ou retirando chope. Coloquei meu diploma escrito SOMMELIÈRE em rosa choque, com minha foto embaixo, para conseguirem enxergar.

Poucas pesquisas lógicas comprovam que o teor da potência alcoólica da cerveja não advém da mão máscula que a fabrica, mas sim da quantidade de açúcar que a levedura consumiu, logo, a bebida pode ser feita por quem entender dela. A mesma pesquisa nos mostra que apenas 50% dos entrevistados entendem que cerveja de mulher é aquela que ela pagou e decidiu tomar, sendo quase 100%, respostas de homens adultos, que ainda não aprenderam.

Os tempos são outros, os estilos são variados e os gostos também. Mais importante que o crescimento cervejeiro no mercado Brasileiro, é o crescimento cervejeiro livre de preconceitos contra ideias, propostas e principalmente, contra as mulheres, que criam, educam, degustam e respiram o mesmo ar que todo mundo.

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