Era noite quando o aspirante a çommeliê Onofri Flávio vestiu seu sobretudo preto, óculos escuros e um boné da Mikkeller para praticar um crime em nome da análise sensorial. Usou uma caixa de Brooklyn como escada para se debruçar no muro de um estábulo localizado em Paulania, interior de São Paulo, para cheirar o primeiro cavalo que avistasse. Onofri teria um teste cego em seu curso de Çommeliê no dia seguinte, e precisava urgentemente de referências animalescas. Porém, uma viatura da polícia passou pelo local no exato momento do delito e enquadrou o estudante.

-O meliante parecia nervoso. Quando acionamos a sirene ele imediatamente se jogou para o outro lado e conseguiu cheirar um cavalo que estava mais adiante. Algemamos e o levamos para a delegacia. No caminho, sujeito começou a cheirar a grade que separa a mala e a cabine dos condutores do veículo. Pedimos que parasse, mas ele insistiu que precisava identificar uma tal de oxidação metálica. Já havia dito isso quando pediu para ser algemado com os braços para frente… Alegou estar machucado e pediu esparadrapo… Se ele tivesse bebido daria menos trabalho – afirmou Cabo Ubirratan.

Onofri Flávio passou a noite na prisão e foi liberado na manhã seguinte, quando um grupo de amigos conseguiu financiamento coletivo para sua fiança.

-Fiquei muito contente com a vaquinha, pois afinal, é um módulo bastante intensivo do nosso curso de çommeliê, e meus colegas já parecem bem capacitados. Posso dizer que foi difícil, mas saí fortalecido dessa experiência, e agora já sei identificar o cheio do suor do cavalo, oxidação metálica, e no sanitário da cela que dividi com outros detentos foi mole identificar butírico – afirmou Onofri, que ainda manifestou vontade de invadir uma madeireira.

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